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Calçadão

CALÇADÃO

Referência em Londrina, a avenida Paraná (Calçadão), era conhecida como estrada do sertão. Começava na avenida Celso Garcia Cid e terminava na Tiradentes e era a única via que cruzava a cidade em diagonal. Hoje, a avenida Paraná não tem o mesmo comprimento, ocupa um espaço de apenas seis quadras e é conhecida como calçadão. A avenida ganhou esse nome popular por ter cinco quadras fechadas para uso de pedestres e ter sua construção em paralelepípedo. 

A avenida principal da cidade é, geralmente, o palco para as comemorações do município. A avenida Paraná era usada para desfiles, manifestações, passeios a pé, e onde os namorados se encontravam e famílias se reuniam. Além das comemorações, a avenida era um dos maiores centros de comercialização de bens. Em frente ao edifício América, funcionava a compra e venda de café, o lugar era considerado como uma Bolsa de Valores.

Histórias como esta são contadas no roteiro do projeto Educação Patrimonial desenvolvido, desde o ano passado, com recursos do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Os roteiros, que contam com monitores, ocorrem nas terças, quartas, quintas e sábados, a partir das 18h. Os interessados podem comparecer no Museu Histórico, ponto de partida do roteiro, sem agendar horário. Grupos, por exemplo, de idosos ou estudantes, podem agendar o dia pelo telefone 3371-6606.

Segundo informações da Secretaria de Cultura, depois das transformações na estrutura da cidade em 1977, parte da Paraná foi fechada e houve a construção do calçadão. No início foi apenas uma quadra, era preciso ter a aprovação dos moradores. Muitas pessoas eram contra essa mudança, outros visavam à modernidade e valorização do comércio de Londrina. Três anos depois foi feita a ampliação e hoje são cinco quadras de calçadão, da rua Minas Gerais até a rua Hugo Cabral.

A praça Floriano Peixoto, mais um ponto do roteiro, era definida como jardim. Com poucas árvores, mas com muitos arbustos e flores o jardim teve o seu projeto inicial reformulado em 1943, com a formação de uma praça. Nesse período, foram colocados bancos com “pés em forma de bola” e construíram, no centro, o Altar da Pátria, para as comemorações cívicas. Além das comemorações, a praça foi e continua sendo cenário de apresentações culturais. Hoje a praça Floriano Peixoto é conhecida como praça da bandeira e foi revitalizada há pouco tempo. Para demostrar a arquitetura utilizada na inauguração da praça, foram reconstruídos os bancos com pés em forma de bolas e luminárias semelhantes as que existiam quando da criação da praça.

O romantismo na década de 1940 era muito forte. Uma das histórias mais apaixonantes contada pela museóloga do Museu Histórico de Londrina, Marina Zuleika Scalassara, é a da “esquina do pecado”. Os casais namoravam na praça Floriano Peixoto, na esquina em frente à rua São Paulo. Na época, as luminárias eram fracas e havia pouca luminosidade no lugar, deixando o ambiente apropriado para os casais se beijarem. Hoje ainda existem no local os muros de pedras onde os namorados se apoiavam.

A museóloga, afirma que o Sahão Palace Hotel, antigo Hotel São Jorge, outro ponto turístico do centro da cidade, é uma das primeiras edificações altas em 1950 e um dos hotéis mais importantes da época. A energia elétrica da cidade era mantida por geradores, os quais eram desligados às 22h. Para suprir a energia do Sahão, os donos implantaram um gerador próprio e um caminhão pipa recolhia, todos os dias, o esgoto do hotel. Era o centro de discussões políticas na cidade. Hoje o hotel está desativado.

O quarto ponto desta edição da Série Centro Histórico, a Catedral, é um dos pontos mais bonitos do centro da cidade. Com a melhor vista, por ser o ponto mais alto do centro, a paróquia foi criada em 11 de março de 1934, com a primeira missa, a primeira igreja ficou pronta em 19 de agosto do mesmo ano. Em 1938 começou a construção da Catedral, construída com duas torres no estilo arquitetônico neo-gótica, e feita de tijolo e barro. O primeiro bispo de Londrina foi Don Geraldo Fernandes empossado em 17 de fevereiro de 1957. A catedral atual é a terceira matriz de Londrina e foi reinaugurada em 1972. A arquidiocese foi criada em 1974.

Conforme a arquiteta Elisa Zanon, monitora do roteiro o bosque, mais um ponto turístico, era uma praça, e não tinha todas essas árvores. Um dos mitos do Bosque é a mata ser nativa, mas apenas algumas árvores são. O Bosque fica ao lado da Catedral e ocupa duas quadras. Uma das marcas do bosque é a presença da peroba rosa. Essa espécie de madeira forte e resistente serviu para construir casas, lojas, igrejas, hotéis e barracões de madeira. Outro patrimônio histórico é a Biblioteca Municipal, antigo Fórum, em 1950. Também em frente à igreja matriz está a alameda Miguel Blasi, com árvores altas que refrescam o dia dos taxistas e transeuntes.

Londrina realmente tem muita história e curiosidades apaixonantes e, com o roteiro Educação Patrimonial, desvenda-se uma cidade a ser descoberta por seus moradores. “Um patrimônio quase imperceptível aos nossos olhos, por exemplo, é a tampa de ferro de bueiro de 1942”, informou o turismólogo e monitor do roteiro Júlio Belallo. Nessa época era costume colocar a data nas tampas. Essa tampa se localiza em frente ao posto de Saúde Central. O cruzamento de cinco ruas e dois Jardins, o Paço Municipal, o Posto de Saúde, as Casas Catarinenses, o Magazine Fuganti, mais tarde edifício Júlio Fuganti, era, com certeza, o cruzamento mais importante da cidade. Depois de ser demolido o Paço Municipal, foi construída uma agência bancária. Hoje o patrimônio divide espaço com a modernidade e as construções futuristas.

GAPM



     
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